Mosteiros dos Himalaias, India
História
Situando-se no planalto tibetano,
a História do Ladakh é comum à do Tibet.
Até ao séc VII
a região era habitada por tribos nómadas que se
dedicavam à pastorícia. Nessa época surge
o príncipe guerreiro Namri Songtsen que inicia a árdua
tarefa de unificar os vários clãs do Tibet, sendo
depois o seu filho Gampo quem consolidaria um vasto império
a partir de Lhasa, que chegaria a incluír o Cachemira,
o Nepal, o Turquestão, o Sikkim e o norte da Birmânia.
A religião primitiva, Bon, seria substituída pelo
budismo e traduzida para tibetano, e veio a adquirir grande poder
no reino.
Após o séc IX
este império dissolve-se dando lugar a múltiplos
pequenos reinos e a regiões de supremacia monástica.
No séc XIII, Gengis Khan
anexa o Tibet, seu filho Kublai converte-se ao budismo tibetano,
torna-se patrono da seita Sakyapa e entrega a administração
do território aos seus grandes lamas. Inicia-se uma longa
disputa entre as seitas Sakyapa e Gelupka. No séc XVI
, Altan Khan intervêm e nomeia Dalai Lama (: Oceano
de Sabedoria) o grande lama da seita Gelupka que adquire
um grande prestígio, e no século seguinte Gushri
Khan nomeia o quinto Dalai Lama, o Grande Quinto, governador
do Tibet.
Nesta época o reino do
Ladakh adquiriu grande poder anexando o vizinho Baltistão
e chegando a invadir diversos reinos na província tibetana
de Ngari.
O séc XVIII foi palco
das mais variadas disputas. Os chineses invadem o Tibet como
forma de enfraquecerem o império mongol, passando a supervisionar
a sua administração. O Ne
pal ameaça as suas
fronteiras e, nesse processo, o reino do Ladakh adquire autonomia,
auxiliado pelos seus inimigos históricos, os muçulmanos
cachemiris. Depois será invadido no séc XIX pelas
forças do marahajá de Jammu, ele próprio
descendente da nobreza ladakhi.
Hoje, o reino do Ladakh está
inserido na província indiana de Jammu-Kashmir, persistindo
uma disputa do território remanescente com os vizinhos
Paquistão e China.
Geografia
O Ladakh situa-se na extremidade
sudoeste do planalto tibetano, entre as cadeias dos Himalaias
e do Karakoram. É um território muito montanhoso,
de altitude média elevada, e de clima desértico.
O acesso é difícil devido ao seu terreno muito
acidentado e pela persistência da neve, que durante seis
meses impede todo o transporte terrestre.
É atravessado pelo rio
Indo na sua zona mais habitada, fornecendo a necessária
água de irrigação para a agricultura e a
pastorícia, praticadas de forma tradicional e rudimentar.
Clima
Continental, de grandes amplitudes térmicas,
com escassa chuva durante todo o ano devido à barreira
imposta pela cordilheira dos Himalaias. O período recomendado
para se visitar o Ladakh é de Junho a Outubro, com temperaturas
diurnas na média dos 25ºC e nocturnas nos 10ºC.
Programa de Viagem
D1: Voos Lisboa-Nova Delhi, transporte para o hotel.
D2: Manhã livre, visita de Nova e Velha Delhi à tarde;
D3: Voo de madrugada para Leh a 3500m, com vistas espectaculares das montanhas nevadas dos Himalaias indianos (1h). Transporte para o hotel e resto do dia livre para repousar ou para explorar o vivo bazar de Leh, onde encontrará inúmeras curiosidades e artefactos tibetanos. Junto à estação de rádio, a sul do bazar, encontrará uma impressionante parede com centenas de milhar de lajes gravadas com orações, de cerca de 500m de comprimento.
D4: Dia livre em Leh para explorar o bazar e o bairro antigo que inclui uma mesquita e um sector muçulmano. Também poderá partir em excursão até ao palácio real, réplica reduzida do Potala de Lhasa, donde terá um excelente panorama da cidade e das montanhas da cadeia de Zanskar. Mais acima, o mosteiro de Leh (séc XV), engalanado com múltiplas bandeiras de oração, contêm uma belíssima figura de Buda com cerca 8 metros de altura.
D5: Transporte para o mosteiro de Taktak onde
iremos assisitr ao seu festival anual (o local do festival e o dia do programa variam consoante cada data de partida, pelo que o programa que se apresenta é exemplificativo).
Predominam as danças
religiosas em que os intervenientes vestem ricos e coloridos
trajes de seda amarela ou brocado. Muitas das danças são
praticadas com máscaras representando animais, demónios,
crâneos, expressões de Guru Rimpoche ou meros humanos.
As danças podem ser: instrutivas, que contam uma história
com uma moral exemplar; purificadoras, um ritual cujo objectivo
é purificar e proteger um local dos espíritos demoníacos;
danças que proclamam a vitória do budismo e a glória
de Guru Rimpoche.
São sempre acompanhadas
de música religiosa onde se utilizam as trompas telescópicas,
tambores, oboés tibetanos (gyaling), címbalos,
kangling (trompete feito de um fémur), sinos e conchas.
A música dá ritmo às danças e demais
cerimónias, e à recitação ou canto
dos textos religiosos (mantras).
Elementos fundamentais nos setchus
são os atsara, palhaços com máscaras expressivas
que fazem comentários jocosos, confrontam os monjes e
distraem o público quando as cerimónias se tornam
demasiado monótonas. Só durante os setchus são
autorizados a ter este comportamento que, dentro de parâmetros
estabelecidos, não melindra a ordem religiosa e social.
O festival é um acontecimento
importante que atrai a população da região
e que lhes oferece a possibilidade de se impregnarem na sua religião
e de ganharem "mérito religioso". Também
é uma ocasião social de vulto onde se encontram
amigos, vê-se e é-se visto, namora-se e travam-se
novos conhecimentos. As pessoas vestem as suas roupas mais finas
e usam as suas melhores jóias. Fazem pic nics abundantes
em carne e em alcool, e prevalece uma atmosfera descontraída,
bem humorada e até algo irreverente.
Este interessante mosteiro foi
construído em torno da caverna onde se crê que o
Guru Rimpoche meditou no séc VIII. É composto por
três capelas principais, sendo a principal e mais antiga
na caverna. Contêm importantes thangkas e frescos
nas paredes,
estatuária e múltiplos objectos religiosos.
Seguimos para o mosteiro de
Hemis (séc XVII), o maior e o mais importante mosteiro
do Ladakh. Tem um terreiro com 1000m2 que dá acesso a
múltiplas divisões: santuários, salas de
reza, de estudo, biblioteca, refeitório, dormitórios,
etc. Acima situa-se um pequeno mosteiro do séc XIII, o Gotsang gomba, em local solitário que favorece
a meditação. Os seus monjes dedicam-se à
impressão de textos religiosos que são fornecidos
aos demais mosteiros.
D6: De autocarro, iremos visitar o mosteiro de Alchi (séc X), um dos mais antigos mosteiros do Ladakh que contêm uma esplêndida colecção de Budas e muitos dos frescos originais. Depois de um pic nic continuamos através das espectaculares gargantas ao longo do rio Indo para Themisgang (80km de Leh), uma aldeia num vale fértil entre montanhas e local do nosso acampamento.
D7: Dia de descoberta do vale de Themisgam. Themisgang,
3200m, foi a antiga capital do reino de Sham e é um dos
vales mais ricos do Ladakh. Subiremos ao alto de um promontório
onde visitamos os antigos forte e mosteiro, conservando este
ainda hoje uma grande importância na região. Bela
vista sobre este extenso e verdejante vale. Caminhamos ao longo
dos campos, cultivados com cevada e pomares de nogueiras, maçãs
e damascos, observando os nativos nos seus trabalhos rurais e
contactando com eles. Subiremos o vale para visitarmos os povoados
mais distantes admirando as múltiplas referências
religiosas que foram erigidas ao longo destes caminhos nos últimos
séculos, e veremos o pequeno mosteiro de Kuc
ha anichado
na falésia.
D8: Início da marcha subindo o vale cavado
entre elevadas cumeadas que conduz à aldeia de Ang, passando por inúmeros chortens (monumentos religiosos
budistas) e paredes com rochas gravadas com orações
(mani). Neste pequeno povoado muito tranquilo atravessamos os
campos cultivados de cevada, trigo, couves, batata, tomate e
árvores de fruto para tomarmos a antiga rota de caravanas
que conduz ao colo Meptek-la (3960m). Nos rochedos acima
existe uma conhecida caverna onde monjes eremitas passam largos
períodos em meditação.
A seguir passamos outro pequeno
colo encimado com dois chortens onde poderemos encontrar yaks
a pastar. Descida suave para Hemis Shukpachang (3200m)
passando por um grande stupa. Logo à entrada da aldeia
veremos uma mata de esplêndidos cedros centenários
que são protegidos. Esta aldeia situa-se num bonito
planalto com largos campos cultivados e possui um pequeno mosteiro
e as ruínas de um forte no alto de uma colina.
D9: Saímos da aldeia por entre os seus inúmeros
muros de pedra que delimitam os campos em socalcos e continuamos
para sul por carreiros de pastores acompanhando rebanhos que
sobem para os prados de pastagem. O panorama das grandes montanhas
acompanha-nos e a paisagem em redor é insólita
de tão agreste e desértica que se apresenta. Após
o colo Sermanchan La (3800m) com o seu habitual chorten
avistamos em baixo o bonito planalto cultivado de Yangtang (3300m) com as casas circundando os campos. Acampamento junto
à escola.
D10: Hoje faremos uma excursão ao mosteiro de Rizong que se situa mais abaixo no vale. O percurso segue um caminho centenário ao longo da linha de água que desce de Yangtang e que é a via que conduz ao vale principal do rio Indo. Cruzaremos os aldeãos que circulam entre povoados bem como os pastores que saem com os seus rebanhos para osm ontes. O mosteiro é composto por dois edifícios independentes, sendo um de monges e o outro de monjas. Regresso a Yangtang à tarde.
D11: Marcha pelo planalto apreciando o trabalho rural dos nativos e subimos suavemente para o colo Charatse La (3680m) cruzando alguma caravana de yaks que por aqui transitam entre as aldeias. Atravessamos o pequeno povoado de Sumdo encravado num longo vale com pequenos campos de cultivo em socalcos que descem para o ribeiro. Após uma subida íngreme passamos o colo Pobela (3600m) e descemos suavemente avistando para vale da aldeia de Likir (3200m), onde visitamos o seu mosteiro situado no alto de uma colina; regresso a Leh de autocarro; hotel.
D12: Visita de alguns dos mais importantes mosteiros
a leste do vale de Leh: Shey (séc XV), contíguo
ao antigo palácio de Verão dos reis do Ladakh,
contêm o maior Buda dourado de toda a região, com
12m de altura. Nas imediações encontram-se as ruínas
de um antigo forte, e centenas de chortens (edificação
religiosa) de todas as dimensões. Tikse (séc
XIV), de côr vermelha, contêm diversa estatuária,
coloridos frescos nas paredes e bonitas thangkas (panos de
seda finamente pintados), inclusivé uma monumental figura
de Buda. De regresso a Leh, e se houver tempo, visitamos o palácio Stok (séc XIX), uma das residências reais.
O palácio contêm um interessante museu com objectos
religiosos e
de uso quotidiano da família real.
D13: Voo para Delhi seguido de transporte de autocarro para Agra (4h).
D14: Agra foi a capital da India nos séc XVI e XVII. Aqui visitaremos o celebre Taj Mahal, o Forte Vermelho e a insólita e fascinante cidade deserta de Fatehpur Sikri, com os seus palácios, mesquita, mausoléus, caravanserai, e demais construções. Os seus edifícios contêm um misto de arquitectura turca, rajhastani e mogor. A cidade foi mandada construír pelo imperador mogor Akbar no séc XVI e foi ocupada somente durante 16 anos por o seu abastecimento de água ter cessado.
D15: Manhã livre. Regresso a Delhi à tarde e transporte para o aeroporto.
D16: Voos Nova Delhi-Lisboa.
Dificuldade: 2-
Preço: desde Eur 2880 por pessoa.
Suplemento quarto individual: Eur 220.
Suplemento época alta: partida de Ago 1 +Eur 80.
Datas: Jul 2-17, Ago 1-16, Set 5-20.
Festivais: Cada partida está planeada para assistir-se a festivais nos mosteiros: Hemis Tse-Chu, Jul 12-13, Dak-Thok Tse-Chu, Ago 11-12, Phyang Tsedup, Aug 3-4, Ladakh festival, Sep 1-15.

Condições Particulares
de Participação
Inscrição: Deve enviar-nos a ficha de inscrição preenchida junto com 30% do preço. Devido à grande afluência de viajantes nestas épocas, a sua inscrição deverá ser confirmada com a maior brevidade.
Preço - Válido em 2008;
Inclui: Voos Lisboa-Delhi e regresso em classe turística, voos domésticos, hotéis em quarto duplo com banho, todos os transportes internos, acompanhamento durante toda a permanência na India, guia, cozinheiro, pessoal de apoio, equipamento de campismo colectivo e transporte das bagagens durante o percurso pedestre.
Não inclui: Visto,
equipamento pessoal, refeições em Nova Delhi, Leh
e em Agra, seguro de viagem, suplemento individual, gorjetas,
entradas nos monumentos (cerca de USD 45.).
Nota: O preço dos voos é baseado em estimativas
razoáveis para os trimestres futuros. As com-panhias aéreas
poderão impor aumentos de preço dentro de prazos
reduzidos
por motivos vários que se prendem com economia,
segurança e demais exigências legais.
Grupo: mín 4 pessoas, máx 16.
Acompanhamento: Guia profissional indiano falando inglês.
Alojamento: Hotéis 3* em Delhi e Agra, "A"
Category em Leh.
Seguro: O preço do seguro para esta viagem é de Eur 62. que abrange um período de 16 dias (por favor consulte as coberturas).
Transportes: Voos em classe turística em companhia aérea europeia ou americana e todas com quem estas tenham aliança (codeshare); voos domésticos em avião a jacto, autocarro fretado ou combóio nas ligações domésticas.
Partidas do Porto: por favor consulte-nos com a maior antecedência.
Bagagens: Serão transportadas por cavalos durante o percurso pedestre, máx de 15kg por pessoa.
Programa: Em função das condições
do tempo, da condição do grupo ou outras justificáveis
o guia
poderá alterar o programa do percurso pedestre.
Documentação: Passaporte válido, visto a obter na Embaixada da India em Lisboa.
Vacinas: Nenhuma obrigatória.
Equipamento: Botas de marcha, saco-cama de 3 a 4 estações, mochila pequena, saco de nylon para bagagem, casaco impermeável, máquina fotográfica. Nota: Após a sua inscrição receberá uma lista detalhada de equipamento.
Inlad-28jan08