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Líbia: Viajando com os Tuaregues no Sahara

Programa resumido Programa Detalhado

D1: Voos Lisboa-Tripoli, alojamento em hotel.

D2: Partimos cedo para sudoeste com destino a Ghadamés (587 km) junto à fronteira com a Argélia e a Tunísia. De caminho visitamos o interessante Qasr Al Haj, o maior celeiro fortificado da Líbia. Data do séc XII e é um belo exemplo de arquitectura berbere, de planta circular, servia para conservar e para proteger as reservas de alimentos da população da aldeia contígua. Notaremos as suas ruínas em redor onde muitas habitações ainda possuem cobertura. O qasr tem 114 “despensas” com portas de madeira de tamareira, quatro pisos, onde se guardam principalmente azeite em ânforas, trigo e cevada. Deixou de ser usado em 2000. Seguimos para Nalut onde visitamos outro grande celeiro. Situa-se num alto à beira de um promontório e está circundado pelas ruínas da antiga aldeia, que visitamos. Esta região foi muito rica na produção de azeite e por isso visitaremos os dois lagares no centro da aldeia, bem como três mesquitas. A mesquita mais antiga, reconstruída no séx XIV, tem curiosas inscrições nas paredes e nos tectos. O celeiro fortificado tem uma inscrição que indica ter sido reconstruído no séc XIII. Dentro das muralhas de adobe e de pedra circula-se por vielas estreitas que dão acesso aos edifícios que contêm as câmaras, em vários pisos. Possui 400 “despensas”, cada uma com reservatórios para cereal e grandes ânforas para azeite.
Chegaremos a Ghadamés ao fim de tarde. Esta cidade-oásis serviu desde sempre como entreposto às grandes caravanas de dromedários que viajavam do Niger e do Mali e que se dirigiam para a costa. Foi durante séculos uma das mais importantes cidades caravaneiras de todo o Sahara a onde chegavam, vindos do sul, escravos, metais preciosos, sal, tecidos, especiarias, perfumes, etc. Os romanos e os bizantinos que a dominaram já entendiam a importância da sua situação estratégica. Hotel.

D3: Ghadamés. Visita do museu instalado no forte italiano que apresenta objectos do quotidiano dos seus habitantes berberes, bem como achados tão remotos como do tempo dos romanos (séc IX aC). Depois iremos visitar a cidade antiga, envolta em muralhas, onde as habitações de dois pisos se encontram unidas umas às outras ao longo de um labirinto de vielas cobertas onde se caminha longamente na penumbra. O ambiente é enigmático e insólito, e ao mesmo tempo belo por que se evolui ao longo de diversos tons de sombra desde a quase-escuridão à claridade. A cidade divide-se em dois bairros habitados cada qual por uma tribo, estas dando origem a sete grandes famílias. Por isso há sete vielas principais e o mesmo número de portões de entrada na cidade, mesquitas, escolas e de pracetas. A arquitectura desta cidade está concebida para se suportar os quase 50ºC no verão: construção em adobe sobretudo as coberturas, aberturas e poços de ventilação, pequenas aberturas para o exterior. Frente à entrada principal veremos uma grande piscina de água transparente que provem de nascente e que é canalizada para todo o burgo. Junto de cada mesquita visitaremos os banhos de água corrente para as abluções. A cidade está a sofrer grandes restauros e, ao fim da manhã, teremos um almoço típico numa habitação restaurada e decorada de forma tradicional, e seremos servidos com os utensílios e os menus de outrora. Partida para Al Hamra, a sul, passando por Sebha (960 km, 8h), atravessando o deserto em estrada de alcatrão de bom piso. Alojamento em bungalows em aldeia no deserto, Al Hamra.

D4: Mudamos de veículo e partimos em jeep para Ubari, um bonito oásis com extenso palmeiral e inúmeras hortas. Aqui abandonamos o alcatrão e entramos no domínio das dunas. Passaremos o dia percorrendo o deserto entre um mar de dunas com mais de 200m de altura! Visitaremos os quatro lagos de Ubari, surpreendentes, na base de imponentes dunas, alimentados por lençóis freáticos. Os poucos habitantes que aí moraram e que se alimentavam dos crustáceos de água doce tiveram de abandonar o local por a água se ter tornado salobra. A visão dos lagos é bela e insólita pois cada lago tem ruínas de aldeias inclusive uma mesquita e um pequeno conjunto de tamareiras e de tamarindos que resistem dificilmente à invasão das areias. Acampamento nas dunas (travessia na areia, 4h).

D5: Seguimos viagem para o extremo sudoeste do País (300 km alcatrão, 60 km pista, 5h), junto à fronteira sul da Argélia, cerca de 900 km em linha recta da costa mediterrânica, o centro do Sahara, a região dominada pelos nómadas touaregues. Passamos uma região de gigantescos promontórios em forma de mesas e seguimos sempre envolvidos pelo deserto. Depois saímos da estrada e percorremos terrenos de estepe onde observaremos os nómadas touaregues vigiando o seu gado: dromedários, cabras, burros e ovelhas. Esta região tem boas pastagens e várias famílias aqui se encontram dispersas. Este povo habita o núcleo central do Sahara no Niger, Líbia, Mali e Argélia, e forma uma comunidade com estreitas afinidades e solidariedade que remonta ao tempo em que não havia fronteiras políticas. Têm uma língua e uma escrita comuns, o tamasheq, e têm liberdade para cruzar fronteiras sem restrições tal como outrora. Iremos encontrar a nossa equipa touaregue acampada em Wanragaia, uma região de planície atravessada por inúmeras curiosas formações de rocha escura. Jantamos em redor da fogueira com o senti­mento fascinante de que a nossa aventura sahariana se está a iniciar. Dado que as noites não são demasiado frias a dormida faz-se ao ar livre sob o céu estrelado, no que será uma excelente experiência.

D6: Com o raiar da alvorada o nosso cozinheiro já estará em redor da fogueira aquecendo água e preparando o pequeno almoço. Este é constituído por pão com manteiga e doce, chá ou café com leite, biscoitos e fruta. As tâmaras estarão sempre presentes pois são o fruto tra­dicional dos touaregues. A seguir os dromedários são carregados e inicia­mos a marcha num terreno de estepe: pe­quenas dunas com áreas de terra e inúmeros tufos de gramíneas e de giesta. Seguimos pelo fundo de suaves vales marginados por cumeadas de rocha. Notam-se os vestígios da água no centro destes vales pela diferença de coloração e pela vegetação mais densa. Em Janeiro caem chuvas torrenciais que formam verdadeiras torrentes no deserto e isso está marcado nas longas lajes de rocha que foram postas a descoberto pelas águas. Os nossos guias irão mostrar-nos diversos aspectos interessantes da vida no deserto, entre os quais a detecção de animais pelo seu rasto na areia. Você verá desenterrar um peixe das areias, um lagarto albino de pequenas patas que vive enterrado na areia durante o dia. Talvez tenhamos a sorte de observar alguma gazela, uma raposa, um ibex, um geko (varano), uma lebre, um chacal ou um fenéco (assemelha-se a uma pequena raposa com enormes orelhas). No contacto com os nossos guias você irá ter a percepção de que o deserto, para eles, tem uma dimensão incomparavelmente diferente do que para nós, forasteiros e principiantes. Adiante entramos numa zona deslumbrante, Maghidet: uma imensa “floresta” de enormes monólitos desmoronados que se elevam acima de uma areia fina de cor laranja!Chegaremos a Maghatghat a meio da tarde e você descansará sobre as dunas apreciando a tran­quilidade do deserto antes do jantar, ou fará um passeio por entre os rochedos sentindo o cenário como se visitasse as ruínas de uma cidade irreal!

D7: Hoje atravessamos a região de Maghidet no meio desta arquitectura surpreendente de rochedos desmoronados com as mais diversas formas, seguindo a passada lenta dos dromedários. Iremos acampar na borda deste território com vista para uma grande planície e para uma sucessão de magníficas e imponentes dunas que ficam alaranjadas ao fim do dia! (5h).

D8: Travessia da planície de estepe arenosa com múltiplos tufos de gramíneas e que constitui uma zona privilegiada para apascentar o gado e onde poderemos encontrar algumas famílias de nómadas acampados com os seus grandes rebanhos de cabras, ovelhas e dromedários. Veremos uma bonita ave preta e branca, o moula-moula, a ave da sorte para os touaregues, e poderemos avistar também avestruzes, águias, perdizes, corvos e falcões. Instalamos o acampamento sobre as dunas. (6h).

D9: A nossa expedição dirige-se para leste sobre este mar ondulante à passada lenta dos dromedários, seguidos pelas suas sombras. O nosso guia dirige a caminhada pelas zonas mais firmes das dunas que aqui é das areias mais finas que se conhece. É por isso que a marcha nesta areia não é tão difícil como imagina. Em redor estamos envolvidos por um espectacular oceano de dunas douradas. Será muito interessante observarmos o movimento dos diversos ani­mais pelas inúmeras pegadas que iremos en­contrando - até o rasto dos escaravelhos aqui fica marcado! A meio do dia fazemos uma paragem para uma refeição ligeira composta por pão cozido nas brasas e salada de sardinha ou de atum, seguido de chá e de fruta. Após a refeição você poderá fazer uma breve sesta sob um tufo de gies­tas - os touaregues fazem-no sempre. Depois da sesta os nossos cameleiros irão à procura dos dromedários que foram libertos para pastar e, car­regadas as bagagens, continuamos a caminhada através do erg. No final de cada etapa diária, os guias descar­regam e libertam os dromedários. Depois vão apanhar lenha, os troncos secos de pequenos arbustos, e preparam a fogueira. Enquanto isso você descansa no alto de uma duna apreciando o silêncio e esperando pelo pôr do sol, que aqui é de uma indescritível beleza pois o mar de dunas em redor torna-se cada vez mais dourado. Jantamos frente à fogueira. É sem­pre servida uma sopa de sêmola, a tradicional chorba, ou de massas com legumes seguindo-se borrego ou galinha acompanhados de legumes, arroz ou massas ou cous-cous; no fi­nal, chá saharaui com fruta. Continuamos alimentando a fogueira, sob um céu den­samente estrelado, e comentando as peripé­cias do dia até sentirmos o desejo de re­pousarmos na mornidão do saco cama. (6h).

D10: Terminamos a caminhada ao fim da manhã e viajamos de jeep para Ghat (70 km).Ghat foi uma antiga cidade-oásis com grande importância para o comércio caravaneiro, e uma das raras urbes onde se estabeleceram e se sedentarizaram famílias de touaregues. Situa-se na fronteira com a Argélia, defronte de Djanet, num cenário admirável com um mar de enormes dunas a sudeste, ao longe a leste o maciço de Akakus e mais ao longe para oeste os montes Tassili n’Ajer na Argélia. No seu mercado encontraremos comerciantes vindos dos vizinhos Niger e Argélia tal como há séculos. Os artefactos típicos desta região do Sahara são os tapetes touaregues kilims, jóias em prata a destacar os colares e brincos que incluem âmbar, coral, conchas, e os punhais cerimoniais, roupa tradicional, cerâmica, artigos diversos em couro, os mais diversos artefactos usados e algumas in­teressantes antiguidades.
Depois de almoço iremos visitar a cidade antiga, construída de adobe e com arquitectura de fortificação. Fundada no séc I aC é um labirinto de vielas cujo urbanismo actual data do séc XII. A sua mesquita foi construída no séc X e tem uma arquitectura africana característica do Sudão. No centro eleva-se um terraço, de onde se vigiavam os acessos à cidade, também o local onde se reuniam os notáveis e donde estes se dirigiam ao povo. Dominando-a do alto de um promontório situa-se o estreito e pequeno forte otomano, depois italiano, onde subiremos. Daqui avistamos o verdejante palmeiral com as suas hortas e os bairros modernos de Ghat. Alojamento em hotel.

D11: Partida matinal para o maciço de Akakus (80 km), conhecido pelos seus enormes promontórios negros que se elevam acima da areia do deserto e pelas inúmeras gravuras e pinturas rupestres. Passaremos o dia circulando nos grandes espaços entre rochedos, subindo e descendo dunas, em busca desta arte rupestre protegida pela Unesco e classificada como Património Mundial. As pinturas situam-se em cavernas e concavidades da rocha que os raios solares nunca atingem. Será interessante reparar nos detalhes das cenas de há cerca de 12,000 anos quando esta região era arborizada e fértil. Veremos vacas, girafas, elefantes, dromedários, leopardos, cabras gravados na rocha bem como cenas de caça e de guerra, e caracteres tuaregues. A meio da tarde acamparemos ao abrigo de um promontório e iremos subir a um deles, para apreciarmos as magníficas cores do fim do dia e as longas sombras destes rochedos alongando-se na areia. Jantar à volta de uma fogueira.

D12: Regressamos à estrada perto de Alwinat (30 km de pista) e seguimos no alcatrão para Al Hamra (365 km). Depois de almoço e de um duche, iremos visitar um curioso jardim que possui vários animais oriundos do deserto: chacais, ibex, gazelas, gamos, gerbos, gekos, iguanas, serpentes, etc. Ao fim da tarde seguimos para Sebha (75 km) e embarcamos no voo para Tripoli. Hotel.

D13: De manhã visitamos o Museu de Tripoli. Este encerra uma riqueza incalculável e tem sido frequentamente comparado ao British Museum. Ao contrário deste, os achados são provindos exclusivamente do solo líbio. Está dividido em épocas e culturas: pré-histórica, fenícia, púnica, grega, romana, árabe/berbere (garamantina), bizantina, otomana, islâmica e moderna/revolucionária. No início da tarde partimos para visita de Sabratha, 80 km a oeste de Tripoli.
Esta cidade estabeleceu-se como um porto para mercadores púnicos cerca do séc V aC. A cidade também recebeu influências gregas e teria sido nos séc I a III que conheceu o seu apogeu como colónia do império romano. Situada na costa, o seu porto tinha uma actividade intensa, sobretudo o comércio de animais e de marfim. Iremos visitar os museus romano e púnico que mostram diversas obras de arte onde se destacam belos mosaicos e frescos policromos.
Muito perto veremos o imponente mausoléu púnico de Bes e passaremos a muralha bizantina (séc VI) que protegia a cidade antiga. Percorremos as suas calçadas admirando diversas ruínas: o forum, local de encontro e de comércio, vários templos romanos e bizantinos dedicados a divindades, banhos e casas de banho públicos, habitações, um anfiteatro ou arena outrora com capacidade para 10000 espectadores e o imponente teatro.
Este é considerado um dos mais magníficos do mundo romano com as suas 108 colunas de capitéis bizantinos e diversos altos relevos esculpidos em mármore! O passeio à beira mar irá revelar-nos muitas outras ruínas, algumas submersas, bem como colunas meio enterradas na areia.
Regresso a Tripoli e resto da tarde livre para deambular pelo souk, o centro comercial tradicional, e para nos sentarmos numa esplanada de um café egípcio e puxarmos umas fumaças de um narguilé. Recomendamos que jante no porto de pesca, onde poderá comprar o peixe e o marisco na lota e levá-lo para um dos restaurantes, onde o cozinharão e o servirão.

D14: Partida para Leptis Magna (120 km. 1h30). Fundada pelos fenícios no séc VII aC, esta cidade foi conquistada pelos romanos no séc II aC e viria a tornar-se na maior e mais rica cidade romana em África, o seu porto um dos mais movimentados do Mediterrâneo sul.
Aqui se embarcavam animais exóticos, produtos agrícolas (trigo, azeite), peixe seco e a multiplicidade de mercadorias que chegavam nas caravanas que atravessavam o deserto, na rota que passava em Ghat e em Ghadames. Esses tempos de esplendor estão reflectidos na monumentalidade da cidade, onde se notam alguns excessos! Admiraremos o grande arco de Septimus Severus revestido a mármore que marca o início da longa avenida ladeada de colunas que nos conduz ao porto. De caminho passamos pelos imponentes banhos de Adriano, construídos em mármore. São dotados de grandes salões e piscinas e no exterior abre-se um campo para desporto. Muito próximo situa-se a basílica, um edifício de paredes maciças e intactas, com uma envergadura imponente de 90m de comprido. Está repleto de obras de cantaria em calcário e em mármore. Do lado sul, situa-se o forum de Severo, um largo terreiro lajeado a mármore e cercado de colunas e de inúmeras estátuas. Noutra avenida que parte do arco, a avenida triunfal, passamos pelos arcos de Trajano e de Tibério para chegarmos ao mercado e ao chalcidicum que contém um templo e, mais adiante deparamos com o portão bizantino.
No mercado veremos bancas de peixe que ainda conservam gravadas na pedra as medidas de comprimento! Muito perto visitamos o teatro com as suas bancadas de calcário para 5000 pessoas e a maioria das colunas ainda erectas.
Regressamos a Tripoli e teremos o resto da tarde livre.

D15: Transporte para o aeroporto e voos Tripoli-Lisboa.

  • Preço: desde Eur 1860 por pessoa (voos incluídos).
  • Dificuldade: 2

Sugestões de Programas Alternativos:
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Preço: desde Eur 1360 por pessoa (voos incluídos)
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Preço: desde Eur 1060 por pessoa (voos incluídos)
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Preço: desde Eur 1100 por pessoa (voos incluídos)

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Preço: desde Eur 3080 por pessoa (voos incluídos)
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Preço: desde Eur 2760 por pessoa (voos incluídos)

Testemunhos
Viajando com os Tuaregues no Sahara, Líbia